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10 de agosto de 2009

Essa droga de vaidade!



Não sou vaidoso, não sou por falta de tempo, de disposição e de pratica, ainda que eu tente, me parece que não nasci para o negocio, e sempre tenho a impressão que tudo que faço nesse sentindo não dá certo! Não vou dizer que já tentei de tudo porque seria mentira, eu nem tentei tanto assim, mas o pouco que fiz me mostrou a dureza que é melhorar o que muitas vezes não tem jeito.
Sempre culpei minha natural falta de tato com os esportes, como sendo o fator principal para minha quase genética predisposição ao sedentarismo. mas mesmo assim tive algumas tentativas frustradas e por isso mesmo que posso afirmar com propriedade que esse negocio de ser vaidoso é muito complicado.

No fundo eu invejo qualquer pessoa que tenha um pouquinho de vaidade, não estou querendo dizer aqui que queria ser metrosexual, aquilo pra mim é frescura, mas não custa nada buscar melhorar um pouquinho o visual e nesse quesito deixo muito a desejar!

Ainda me lembro da primeira vez que pisei em uma academia buscando ficar com aquela aparência de calendário de bombeiros, até hoje não sei o que deu em mim para fazer isso, mas só sei que acordei um dia e decidi que iria praticar musculação e boxe ( é isso ai, tudo junto, já que é pra fazer que seja assim) me matriculei, comprei aquelas luvinhas ridículas que fica metade dos dedos pra fora, arrumei uma camiseta que lembrava, pelo menos na minha cabeça, uma atividade esportiva ( queria estar inserido, quando pisasse na academia), tênis e lá fui eu para meu primeiro dia, cheguei fazendo estilo de quem fazia aquilo todos os dias, fingi até que vim correndo, sabe? Só de entrar ali já me sentia forte, primeira coisa que fiz foi procurar o professor, um tal de Pedrão ( pois é, com esse nome também fiquei com medo), pergunto dali, pergunto daqui, e pronto, aquela minha imagem de rato de academia foi por água abaixo. O professor na verdade não devia nada a uma Scania, com exceção do peso ( a Scania é mais leve), aquele cara tinha de peito o que um trem tem de comprimento, sua primeira atitude foi me medir me pesar e provar não apenas a ele mas a todos que estavam ali que além de gordo eu nunca havia pisado naquele solo sagrado do culto ao corpo.

Ficou decidido que faria primeiro trinta minutos de bicicleta, e mais trinta pegando peso e depois minha aula de boxe. Lá fui eu, subi na bicicleta e comecei a pedalar, nos primeiros dez minutos tudo foi bacana e já até havia me esquecido de toda aquela humilhação do inicio , quando comecei a ficar assado, tentei disfarçar pedalando em pé, mas lá do fundo da sala o Pedrão mandava eu sentar, agora, além de gordo todo mundo ia pensar que eu não sabia andar de bicicleta, os minutos não passavam e confesso que por uma ou duas vezes me imaginei pedalando pra fora dali e só parando na Venezuela. Quando finalmente sai daquela merda, nem conseguia andar, parecia que tinha vindo a cavalo para a academia, Pedrão me colocou deitado em um daqueles aparelhos de tortura medieval e falou bem alto que iria colocar o peso na medida que eu agüentasse, meu orgulho não me permitia pegar menos de trezentos quilos na primeira vez e só parei quando percebi que meus ossos dos braços começavam a estalar. Não consegui completar a primeira serie das três que ele havia passado, mas juro que tentei, quando finalmente alguns dos outros alunos correram para me socorrer após um pequeno acidente ( no qual fiquei esmagado entre a barra e o assento ) me dei conta que era hora de dar um tempo. Levantei e tive a curiosa sensação que não tinha braços mas isso não durou por muito tempo logo pude perceber que eles estavam lá e o pior doendo muito, não doía apenas os braços e por alguma razão não conseguia respirar direito também, achei que tinha quebrado algumas costelas, mas pelo que já ouvi dizer uma ou duas costelas quebradas com total certeza doía menos! Passei o resto do tempo fingindo que estava bebendo água e mantendo assim uma respeitosa distancia daqueles aparelhos infernais.

Quando Pedrão chegou perto, eu não conseguia mais me mexer, fingindo uma naturalidade e até um certo charme repousei meu corpo contra a parede fazendo um tipo: “estou olhando as mulheres”, na verdade aquela parede era meu único suporte de sustentação e se ela não estivesse ali, acho que não sei o que teria sido de mim. Eu não sei por que, alguém já notou que professor de academia ta sempre feliz? Sempre com aquele ar do tipo vamos apostar corrida? Só sei que ele chegou dizendo que era hora de subir no ringue, se eu não tivesse praticamente em coma, eu teria mergulhado pela janela e caído la em baixo fugindo sem olhar pra trás.

O professor de boxe, já me esperava com um par de luvas e ao lado dele tinha um sujeito duas vezes meu tamanho também de luva, após um rápido calculo mental, (ele de luvas mais eu de luvas igual : meu massacre), quis inventar um compromisso e comecei a buscar uma rota de fuga, uma janela, um ralo, uma porta...mas não teve jeito Pedrão com sua simpatia arrastou meu corpo já quebrado até aquele pelotão de fuzilamento, ainda bem que nenhum dos dois esticou a mão para eu apertar, um porque estava de luvas e o outro porque era mal educado mesmo, pois meus braços não tinham forças para levantar minha mão e muito menos para apertar.

- Não precisa se preocupar, hoje só vai ser demonstração! disse o professor de Boxe, enquanto colocava as luvas em mim, o meu “oponente” já estava no rinque se aquecendo e fazendo aquele monte de coisa que eles fazem antes de uma luta. Eu lembro de ter pensado se o outro sabia disso.
Subi no ringue e meu extinto de preservação já estava dobrando a esquina muito decepcionado comigo, cheguei mais perto toquei na luva dele, ( isso é um cumprimento de “lutadores” e não um pedido de misericórdia) , e nesse momento me dei conta que só poderia haver demonstração se tivessem dois lutadores, achei aquilo estranho mas acabei me convencendo que tudo aquilo era pra mim, um incentivo, uma forma de me animar, de trazer mais adeptos para o mundo do pugilismo, enfim, uma dessas coisas bacanas que o esporte faz, essa inclusão, aquela coisa do tipo agora vou fazer parte do grupo, e por ai vai...

Fiquei parado no meio do ringue, afinal, queria ver a apresentação, ela era pra mim! olhei fixamente para o rapaz que pulava na minha frente me encarando, busquei observar cada passo, cada jogada, quando de repente tomei o primeiro soco, que fez minha cabeça bater nas minhas costas, quando olhei para o professor para perguntar o que era aquilo, tomei outro, abri minha boca para falar com o rapaz mas tomei outro, busquei por Pedrão como forma de me salvar, e tomei outro, olhei de novo para o professor e tomei outro, olhei para ver se tinha mais alguém vendo aquela humilhação e tomei outro, procurei uma forma de sair do ringue mas tomei outro, cheguei perto das cordas e tomei outro, levantei uma das cordas e tomei outro, botei o pé para fora do ringue e tomei outro, botei o outro pé e tomei outro e assim sai do ringue, mas juro que busquei fazer isso com muito estilo, e naturalidade, não queria que alguma mulher pensasse que eu não soubesse o que estava fazendo, o professor todo contente disse que tinha ido muito bem! Muito bem em que?? Em apanhar ? em parecer uma boneca de pano de tanta porrada na minha cara? Muito bem em que?? Nunca soube, porque no minuto que ele tirou as minhas luvas peguei minhas coisas (sempre muito natural e o mais cheio de charme que a minha condição permita), e fui embora sem olhar pra trás, eu juro que tentei, eu juro.

9 de agosto de 2009

Liga pro meu Celular



Eu odeio celular! Não gosto e tenho raiva de quem gosta! Sinceramente, pensa bem, se falassem para você há vinte e cinco anos atrás que no futuro todo mundo sairia por ai carregando seu próprio telefone pendurado na cintura poderia apostar que além de não acreditar, iriam achar de mau gosto e até estranho; não sei o que acontece com todo mundo hoje que acha isso o máximo! Durante muito tempo eu tentei boicotar esses aparelhos que de todos os já inventados pela raça humana sem duvida é o mais chato! Só tive meu primeiro aparelho de celular em 2006 e mesmo assim sob pressão, parecia que se eu não tivesse o tal do celular estaria excluído do mundo e do convívio social, perderia amigos, namoradas, e até a minha própria família me desertaria, tudo isso por causa de um aparelho que no fundo não serve pra muita coisa, se você pensar bem.

Quando digo que não serve pra nada, quero dizer que se algum dia você realmente precisar dele, as chances são de nove em dez que ele irá te sacaneiar. O celular pode até ser útil em algumas situações e nem defendo a sua total extinção, mas o que esse aparelho se transformou nos últimos anos é um verdadeiro circo, celular que não tem câmera não presta! Como assim??? Desde quando surgiu essa necessidade de falar e bater foto ao mesmo tempo? ( essa é outra das coisas que uma pessoa do passado realmente acharia estranho), pra que celular precisa tocar musica, acessar internet, bater foto, e outras milhares de funções se o que realmente a gente quer é ligar?

O que acho mais engraçado é essa nova noção de que celular é sinal de status, se você não tem o novo Nokia modelo: zxwwy3445 master advanced plus mega, você não é nada! então por isso mesmo que quanto mais pobre for o individuo mais ele quer um máster advanced plus mega, dessa forma ele como proprietário dessa maquina ultra moderna de...telefonar! vai poder fazer inveja a todo mundo dentro do trem, assim em pouco tempo todos acabam comprando o máster advanced plus mega e de repente você já não é mais nada!

Mas a questão aqui é minha relação com esse aparelho, e como ia dizendo, quando comprei meu primeiro celular não me interessei em saber como ele funcionava ou se tinha isso ou aquilo, a única coisa que esperava (espero) dele é receber e fazer uma ligação, o que já acho até muito! E por isso mesmo que sempre fui desleixado e displicente com meus aparelhos, na verdade esse negocio de por celular pra carregar nunca foi comigo! Acho que isso ainda é uma tentativa de boicote, mas como sempre acabam brigando comigo passei a prestar mais atenção nessa tarefa. Sou muito feliz com meu pré pago que ponho créditos uma vez a cada século para não perder o numero e vou seguindo minha vida, sem olhar muito para ele e espero que ele também não preste atenção em mim.

Outra coisa irritante que essa invenção trouxe foram os call centers da vida, aquilo pra mim é a perfeita representação do que é realmente um aparelho celular, nada mais simpático do que receber uma ligação de um atendente super preparado, te oferecendo uma promoção mirabolante que quase faz você se sentir um felizardo. Durante muito tempo fui mal educado, ríspido, e outras coisas bem piores, mas acabei por fim percebendo que mesmo assim eles não paravam de me telefonar até que desenvolvi um método menos agressivo e mais interessante, o macete é ser mais chato que eles, me parece que venho obtendo resultados pois as ligações diminuíram bastante depois que adotei essa técnica, abaixo segue um exemplo:

EU – Alô ?

Atendente – sr Robson? Bom Dia aqui é Kledmilce da sua operadora o sr tem um minutinho para ouvir a nossa sensacional proposta que estamos te trazendo em primeira mão?

EU – oi, Kledmilce, que enorme prazer falar contigo!! Como vai você? Tudo bem ai? Esse é o primeiro passo: demonstrar enorme satisfação em falar com a atendente, você notará um silencio do outro lado, quanto maior a afetuosidade maior será o silencio.

Atendente – err...Tudo bem Sr! Gostaria de estar te fazendo algumas perguntas e apresentando ao senhor os novos pacotes que estaremos lançando...

Eu – ai que beleza Kledmilce ( nunca se esqueça do nome, afinal , você tem que pensar que está falando com um amigo de anos), que maravilha! Você sabe que estava pensando nisso mesmo?? Tava doido para conversar com alguém...

Atendente – sr estou aqui porque seu nome foi selecionado...

EU – eu ganhei alguma coisa? Sabe, eu nunca ganhei nada! sempre me inscrevo em promoções mas nada! você sabe que ontem mesmo estava falando com minha mãe que gostaria de passar a acreditar mais nessas coisas? Mas sabe, jogo é muito complicado né? Parece que quanto mais a gente aposta mais perde...e por falar em perda, poxa Kled! Você sabia que meu cachorrinho morreu essa semana? ( nunca espere a resposta) pois é morreu! Levei em um veterinário...e fale infinitamente sempre lembrando de emendar um assunto no outro, mas deixe que de vez em quando o atendente fale alguma coisa e a partir do que ele disser puxe outro assunto...eu sei que leva tempo mas garanto que eles vão ficar sem te telefonar e ainda por cima você não maltratou ninguém!

Eu até uso celular mas confesso que por mim não usaria, sempre tenho a impressão que tudo isso foi pensando, algum dia alguém chegou e disse: sabe? Estive pensando aqui e se criássemos um telefone portátil com preços bem populares, assim depois de um tempo, todo mundo teria um e quem não tivesse estaria excluido, portanto mesmo quem não quisesse ser um consumidor nosso ainda assim seria obrigado a ser! Genial!! Quem inventou o celular inventou também o “consumo compulsório” queria apertar a mão desse cara! Mas no fundo acho que nem mesmo ele sabia o que estava criando e vai ver que assim como o criador do Miojo, nunca comeu o macarrão, ele talvez nunca tenha tido um celular.

Enfim, é sempre muito complicado ficar a margem de algumas coisas e quanto mais o tempo passa mais percebo que as coisas estão sendo feitas para que não possamos ficar, estamos na era onde quase tudo é empurrado pela nossa goela abaixo e que por trás de toda essa maravilha da vida moderna existe alguma programação obscura para nos fazer comprar e usar o que quer que seja, sem contar o fato que depois da invenção do celular nunca mais tivemos privacidade e agora com modelos vindo com GPS, até mesmo nossa localização já não é privilégio nosso e sim das operadoras que sabem de tudo a qualquer hora, eu sei que tudo isso é meio paranóico mas é o que eu acho! Não acredito muito em conspirações mas sei que elas existem!! A essa altura você deve estar achando que tudo isso é um pouco demais para justificar minha repulsa por esses aparelhos, pode até ser, mas no fundo acho que tenho um pouco de razão, agora, espere que meu celular está tocando.

7 de agosto de 2009

Um Banco de Ônibus



Pôr incrível que pareça não ando tanto de ônibus quanto quem me conhece pensa. E ao contrário da grande maioria não acho tão ruim assim usar desse serviço de utilidade publica, eu sei que andar de carro ou moto é muito melhor! Mas meu problema são aquelas pessoas que fazem questão de criticar não apenas os ônibus como quem anda neles, você já reparou que tem gente que prefere voltar pra casa em cima de um dragão de Komodo a pegar um ônibus? E que basta uma carona dentro de qualquer corcel setenta e dois para achar que você que veio de buzão não vale nada? Qual o problema de andar nesse transporte coletivo tão legal?? Onde mais você vai viajar em pé a mais de dois metros do asfalto a oitenta por hora? Nem super-homem faz isso! E se fizer vai fazer uma merda tão grande que ele vai passar uns bons vinte anos em uma cela de kriptonita.

Se você costuma andar nessas baleias do transito e nunca prestou atenção em como um passeio pode ser construtivo está perdendo uma oportunidade sem igual! Eu mesmo não havia me dado conta disso até bem pouco tempo atras e somente pela minha insistência em tentar observar tudo o que me acontece é que pude reparar como andar de ônibus pode também ser construtivo, emocionante e até filosófico.

Costumo pegar um ônibus que faz a linha Vila Valqueire (bairro metido a besta, da zona norte do Rio), Pça XV (lugar metido a besta, no centro do Rio), esse ônibus é o meio mais rápido entre dois lugares metidos a besta, existe um outro que faz a mesma linha, mas ele dá tanta volta que deveria vir escrito na frente “ via Austrália” por isso optei pelo menos complicado.

Sou um sujeito de manias e por isso mesmo costumo sentar sempre no mesmo banco (aquele logo atrás do motorista) isso me dá uma visão mais ampla da rua ( não sei explicar pra quê quero Ter uma visão mais ampla da rua); nessa linha não tem trocador ( cobrador, em alguns estados mais problemáticos), o que deixa o motorista com a função de dirigir, prestar atenção no transito e na loira gostosa, e ainda por cima receber e dar troco, enfim, uma grande sacada das empresas para nossa segurança e para as familias dos trocadores.

Um dia desses voltando pra casa, decidi que prestaria atenção no motorista e não na rua ( abrindo mão de toda aquela visão ampla), subi e fui para “meu lugar” sentei, o ônibus saiu, e lá fomos nós, logo no primeiro ponto um senhor faz sinal, e ele para;
(velhinho) – Por favor, aceita Rio card? ( cartão de passagem )
(motorista)- Como assim??
(velhinho) – Aquele cartãozinho que a gente usa pra pagar!
(motorista) – Vai subir ou não vovô ?
(velhinho) – Eu vou! Mas antes quero saber... VRUMM !!! o ônibus arrancou deixando o vovô parado no meio do ponto cheio de duvidas, eu achei aquilo sacanagem mas fiquei quieto, afinal, eu estava ali de observador e não queria interferir nos acontecimentos.

Logo na próxima parada entra uma senhora carregando uma caixinha daquelas de transportar animais com um gato que berrava, ela chegou explicando que o bichano não estava acostumado a sair de casa e que para ele aquela experiência estava sendo muito “ stressante”, o motorista olhou para o outro lado como quem quer dizer: não tô nem ai, ela passou e sentou no meio do ônibus, e lá fomos nós eu, o motorista, a senhora e o bichano.

Na terceira parada entra um casal que pensava que ficar se beijando enquanto passavam pela roleta era gostoso, e por isso mesmo resolveram tentar, eu olhei para o motorista que olhava para a bunda da garota que olhava para o bichano.

Lá foi aquele monstro das ruas acelerando e cortando os carros e eu ali atrás prestando a maior atenção na perícia daquele simpático condutor pelo meio dos carros no centro do Rio, logo em seguida sobe um homem de terno que puxa uma nota de cinquênta reais, o motorista faz cara de quem acabou de ver um t-rex solto vindo na direção dele, e reclamou dizendo que o troco máximo é de vinte reais e que se ele queria andar de ônibus que trocasse o dinheiro, o Homem com muita paciência explica que só tinha aquilo, o motorista faz cara de quem não está gostando e diz que ele não poderia garantir nada, o homem finalmente passa e a viagem prossegue.

A cada ponto subia alguém, algumas pessoas passavam pela roleta e nem eram notadas pelo motorista e outras notadas até demais ( caso de uma loira), e fiquei pensando e notei que aquele ônibus era muito parecido com a minha vida, que segue seu caminho e no decorrer dele entram pessoas que eu nem noto saem pessoas que enquanto estiveram lá, foram importantes, que tem gente que nem consegue entrar, que outras entram trazendo coisas demais e algumas de menos e outras que não entram sozinhas, e que muitas das vezes também me sinto preso com medo do desconhecido. O motorista bem que poderia ser eu, conduzindo minha vida, deixando algumas pessoas nos locais certos e outras nos errados, lá fora a vida passando a oitenta por hora mas aqui dentro, no seu próprio ritimo. Uma hora a viagem vai acabar, chegará minha vez de sair desse ônibus que continuará seu caminho sem mim, vou deixar o banco vazio, mas tenho certeza que outro sentará em meu lugar.

5 de agosto de 2009

Meu Barulho










Eu sei que prometi não colocar um monte de “bagulho” daqueles para melhorar o meu blog ( até mesmo porque acho que ninguém vai ver mesmo, ou seja, total perda de tempo), porém não resisti em colocar aqui um Podcast para quando eu abrir isso aqui, escutar as minhas musicas preferidas; faço isso para minimizar o suplicio, meu e de um possível visitante bem intencionado que por alguma razão, perca seu tempo lendo isso aqui. Mas também porque gosto de musica (como qualquer pessoa) e como esse blog é justamente uma parte de tudo que sou e gosto, seria uma negligência comigo não escrever sobre o som que curto. E para ficar mais explicito fiz questão de deixar o som rolando, como você já deve ter percebido.

Quero deixar bem claro que não sei de musica. Não vou pagar aqui de critico musical ou qualquer coisa parecida, não tenho competência para isso muito menos saco! Cada um sabe o que curte e o que te agrada, mas falar de musica é apenas um meio legal de te enrolar, já que alguém que perca seu tempo lendo meu Blog,merece pelo menos, um pouco de embromação e já que é pra embromar que seja com musica.

Com todo respeito aos que adoram outros tipo musicais eu só curto Funk ( não é o carioca não, aquilo pra mim é Miami Bass), Soul, Jazz ( com todas as suas ramificações, como acid jazz), R&B, enfim, muita musica negra.
Mas como qualquer um, também tenho minhas bandas preferidas e uma delas é o Brand New Heavies ( se você perdeu seu tempo olhando meu Podcast, deve ter notado isso), realmente gosto da banda e costumo dizer que depois que conheci os caras, compreendi perfeitamente aquelas pessoas que gritam e se descabelam em porta de hotel segurando cartazes bregas, e já que você chegou até aqui, e ainda não desistiu, vou falar um pouco dessa banda que surgiu na Inglaterra em 1980, tocando um acid jazz instrumental com o nome de Brother International. E logo após assinar seu primeiro contrato com uma grande gravadora, mudaram de nome após verem uma revista que trazia James Brown na capa com o titulo : “Minister of New Super Heavy Funk". Como The Brand New Heavies ficaram famosos no cenário cult de Londres, mas foi somente em 1990 que lançaram seu primeiro disco chamado Got to Give com Jay Ella Ruth nos vocais. Logo após seu primeiro disco a talentosíssima N´Dea Davenport se uniu a banda e a mulher era tão boa nos vocais que eles decidiram refazer algumas musicas do disco ("Dream Come True", "Never Stop" e "Stay This Way") já pronto, apenas para incluí-la, e assim surgiu a formação dessa banda maravilhosa. Em 1994 lançaram o álbum “Brother Sister” que foi o ultimo com N´Dea Daveport nos vocais ( ela resolveu voltar a gravação do seu disco solo, que ela havia parado para se juntar aos Heavies).

Em 1997 Siedah Garret se juntou ao grupo para gravar o album Shelter , que trazia uma versão de you´ve got a friend de James Taylor. Em 2000 lançaram ‘Trunk Funk –The Best of Brand New Heavies” com Carleen Anderson nos vocais , depois em 2003 lançaram apenas para o Mercado Japonês o disco “We Won´t Stop” ( Link para Baixar :
http://www.4shared.com/file/84864778/def45539/We_Wont_Stop.html ), com um vocal bem variado, mas com boas musicas. Em 2004 com Nicole Russo nos vocais lançaram o disco “Allaboutthefunk” com a musica super dançante “Boogie”.

Em 2006,a banda voltou a ter a Maravilhosa N´Dea Daveport nos vocais e juntos formaram o selo “Delicious Vinyl “ e lançaram o album “Get Used To It” e após o lançamento do disco de 2008 “Live At The Índigo 2, eles resolveram dar um tempo mas prometeram voltar em 2010 com um novo disco e com N´Dea Daveport nos vocais para meu total deleite.
Official N'Dea Davenport website
Official Brand New Heavies website

3 de agosto de 2009

Domingo na Praia



Apesar de ser carioca não existe coisa que mais me desagrada do que praia, não sei explicar o motivo mas sei que aquele lugar é detestável, sempre achei, e acho que nada vai me fazer mudar de idéia. Já vou avisando que para eu ser seu amigo uma coisa fundamental é nunca me convidar para ir a praia isso poderá abalar o nosso relacionamento, escrevendo aqui me lembrei de uma vez que fui convidado a “curtir” um dia na praia com os amigos. O convite surgiu de forma inocente tipo:
-vamos a praia amanhã com a gente? Naquela hora eu já tinha bebido umas cervejas e achei a idéia bacana, todo mundo ali era legal pra caramba e seria divertido passar um dia com eles na praia rindo e bebendo cerveja.
-Claro ! respondi, feliz por estar sendo convidado, que horas vocês vão sair?
- seis horas. Eu nunca entendi essa historia de que para ir a praia tinha que acordar cedo, qual o problema de chegar na praia mais tarde? Ok todo mundo vai te dizer que depois das dez da manhã o sol é perigoso e você pode pegar câncer de pele e todas aquelas palhaçadas, mas o problema é que todo mundo que chega cedo a praia quando dá dez da manhã se levanta e vai dar um mergulho...NINGUEM VAI EMBORA!
Tudo bem eu pensei, vamos chegar cedo para pegar o sol da manhã e na hora do almoço voltamos pra casa.
-Seis e meia vamos passar na sua casa para te pegar, tudo bem? Bem, tudo bem não estava mas palavra é palavra. E fui para casa dormir arrependido da merda que tinha feito em aceitar a participar desse programa que eu sempre soube que não gosto e muito dificilmente iria passar a gostar de um dia pro outro.

Domingo

6:45 – Acordei com um carro que não parava de buzinar na porta da minha casa, eu sabia que tinha bebido na noite anterior mas nada justificava aquela dor de cabeça, sabia que havia alguma coisa errada e me estiquei todo na cama e lá fora : BIP BIP ... lembro de ter pensando alguma coisa do tipo porque essa pessoa não desiste? Nesse momento surgiu na minha cabeça a imagem de mim sorrido e achando o maximo aquele convite para a praia, levantei dei um pulo e sai da cama já me esticando pegando carteira, colocando a bermuda e em dois minutos já estava no portão...

6:47- Quando saio no portão vejo uma Belina 77 abarrotada de gente, com um isopor enorme amarrado com fio no teto, eu pensei : só pode ser sacanagem! Por algum motivo o motorista continuava buzinando eu corri para a porta quando ele falou :
- Não aqui não dá! Você vai lá trás, eu disse: o que? Lá trás onde? Ele me respondeu como se isso fosse muito normal: você vai na mala segurando as barracas e as cadeiras...pronto! agora sim era sacanagem!!

7:00- Câimbra na perna no pescoço e braço dormente, pelo menos minhas pernas estavam para o lado de fora, estacionamos no posto para abastecer, começou o rateio para a gasolina, fiquei pensando no quanto aquela coisa velha bebia de gasolina, e que na verdade, eu deveria ser poupado da vaquinha já que nem uma vaga no banco do carro havia reservado para mim, mas acabei contribuindo, já que não havia alternativa.

8:45- Após meia hora de discussão sobre qual praia deveríamos aportar, o grupo ( menos eu, que por alguma razão, talvez o fato de estar na mala, não me permitia o voto) optaram pela praia mais distante, dentre as centenas de praias da cidade eles resolveram que seria super legal ir para a mais distante, claro! Ninguém que votou estava na mala com as pernas de fora todo torto segurando um monte de bagulho.

9:20- O sol já estava infernal e por essas coisas da vida o único lugar onde não ventava era justamente na mala que o grupo mais uma vez votou que por “questões de segurança” deveria se mantida semi-fechada, com a minha ajuda lógico, agora eu segurava as cadeiras as barracas e a porta da mala que ficava insistentemente batendo na minha canela.

9:45- O sol agora já estava a ponto de bala e a estrada para a praia por alguma razão desconhecida estava congestionada, era carro parado a perder de vista nada se movia e eu ali dentro fazendo papel de mico, para todos os carros que estavam atrás, por uma ou duas vezes tentei esconder minha cara, mas tendo que segurar tanta coisa não dava para me preocupar com minha imagem.

10:15- Puta que o pariu! pra que sair de casa tão cedo se eles escolheram a única praia onde eles iriam chegar tarde??? Eu ficava pensando, todos pareciam estar se divertindo, com aquele engarrafamento. Alguém dentro do carro teve a presença de espírito de sugerir que ligassem o radio, que até agora estava desligado, todos pareceram aprovar a idéia, e logo depois de uma discussão sobre em qual radio deveria ficar, houve uma votação, que mais uma vez não participei, e o radio foi ligado no volume três milhões, e pra minha surpresa dentro da mala era justamente onde ficavam os auto-falantes de 2500 watts cada um, agora eu me preocupava em segurar as cadeiras as barracas proteger minha canela e não ser cuspido para fora do carro pela vibração da musica.

11:25- Chegamos na praia !! o sol estava abrasador, subia vapor quente para todos os lados mas eu já estava acostumado, afinal, meus pés estiveram o tempo todo a dez centímetros do asfalto derretido e agora eu pensei seria o momento para relaxar, fiquei muito feliz quando pude sair daquele inferno, a essa hora já não sentia mais meus braços que estavam dormentes, mas reagi, e para minha surpresa notei que estávamos na beira de um precipício e que para chegar até a areia tínhamos que descer quarenta e cinco metros de ribanceira.

11:45- Estava eu no meio da ribanceira atracado com as barracas e cadeiras e uma caixa de cerveja em latas em baixo do braço, apavorado para não escorregar, com o chão em brasa queimando meus pés, tentando andar mais rápido, doido para chegar na areia.

12:05- Eu estava puto! As meninas tiraram a roupa e já começaram a se lambuzar de bronzeador, e sobrou para mim e para outro rapaz, o mesmo que queria ouvir musica, a armar a barraca e cuidar de tudo enquanto os outros dois arrumavam a churrasqueira, eu estava desesperado e morrendo de vergonha, eu não conseguia parar de pensar que nem de praia eu gosto.

13:20- Eu estava morrendo de fome e nada do tal do churrasco sair, tinha acabado de finalmente conseguir montar as barracas, quando algumas das meninas que estavam rindo e se divertindo com biquines atochados lembrou que tínhamos esquecido de comprar o gelo, após algumas discussões para saber quem iria buscar, com meus dois amigos alegando que eles não podiam se ausentar da frente da churrasqueiras por motivos que só quem sabe fazer churrasco sabem, a briga ficou entre mim e o meu “amigo” que havia dividido a tarefa de montar o “acampamento” mas nesse momento a uma das meninas que era namorada dele alegou que a presença dele também era fundamental ali, e não restou outra alternativa, lá fui eu buscar a merda do gelo.

13:45- Parecia que o lugar onde estávamos nunca ia chegar eu carregando um saco de gelo no ombro embaixo de um sol escaldante com meus pés derretendo na areia e com as costas encharcadas pela água gelada do gelo que derretia, com todo mundo me olhando, já não tinha mais vergonha de nada, nessa hora a única coisa que queria era beber uma cerveja e fingir que nada daquilo tinha acontecido.

13:52- Cheguei exausto, jogando o saco de gelo em um canto e me jogando na areia fervente para esquentar minhas costas já congeladas, foda-se o pulmão eu precisava daquilo, reparei que ninguém foi cuidar do gelo porque eles estavam muito ocupados comendo o churrasco e que na próxima ia sair uma carninha especial pra mim.

14:59- Sem protetor, sem lugar na barraca pra ficar ( agora as meninas queriam “descansar” embaixo dela) só me restava mesmo beber minha cerveja e olhar o horizonte enquanto eu pensava numa forma voltar para casa em paz.

17:58- PORRA!!! Esse povo não vai embora não??? Na verdade eu já não tinha forças para nada meu corpo estava todo dolorido por causa do trabalho escravo e agora já começava a arder, e minha cabeça não saia da volta e ter que desmontar todo aquele acampamento que a essa altura eu queria ver pegando fogo com todos eles dentro enquanto eu bebia minha cerveja e ria da cara deles.

18:25- Voltei feliz na mala da Belina, com a perspectiva de chegar em casa, agora o radio estava baixo e todos pareciam cansados, graças a Deus, ninguém queria conversar muito e a viagem voltou traquila, eu já não estava me importando em segurar caralho de porta nenhuma, muito menos barraca e cadeira que queria mais que caíssem pelo asfalto abaixo, me estiquei todo e até tentei dormir e quando cheguei em casa dei um até logo e pensei que nunca mais iria a praia, pode ser Ibiza, Fernando de Noronha, Natal, ou onde for definitivamente quem gosta de praia só pode ser maluco!!!!!

2 de agosto de 2009

CANAL



Será que alguém já reparou como ir ao dentista é engraçado? ( não, não estou de brincadeira), eu só me dei conta disso essa semana quando fui obrigado a passar uma tarde agradável na cadeira de um, mas para você entender melhor porque estou dizendo isso vamos voltar ao momento de quando tudo começou...

Bem como a minha criatividade deu um pulinho rapidinho ali na esquina e já volta, vou começar esse papo de dentista com a tal de dor de dente, ela mesma, quem já teve sabe do que estou falando, não era uma dor dente das mais infernais, mas ela tava querendo ser, o lance legal dessa dor é que ela realmente sabe ser chata, se ela fosse uma pessoa, seria daquelas que só fala cuspindo e não cala a boca, ou seja, combinação maldita... é você pegou a idéia aquelas mesmo que faz você atravessar a rua ou dependendo do grau de chatice se jogar em baixo do primeiro carro, afinal, o papo dos bombeiros é bem mais interessante. Mas voltando para a dor de dente, meu dente estava de bobeira resolveu doer e eu fiquei muito feliz! E no meio de toda aquela felicidade reparei que não tinha carie no tal do dente, e pensei: mas um dente quando dói não é porque tem cárie? Mas como não sou dentista e ele estava doendo, resolvi que se ele estava doendo ele deveria saber o que estava fazendo então o melhor a fazer era procurar um dentista de verdade e fazer aquela pergunta, já que meu dente, mesmo se falasse, não acredito que ele me diria.

Cheguei na clinica e a primeira coisa que reparei foi na recepcionista toda sorridente e feliz me atendendo com toda simpatia que possa existir nessa terra, nesse dia eu tinha esquecido meu humor em casa, me fazendo todo tipo de pergunta e com aquele maldito sorriso no rosto:
- Você já é nosso cliente? ( sorriso)
- Na verdade não! Mas é que meu dente ta doendo...
- Como você ficou sabendo da nossa clinica? (sorriso)
- Lá fora ta escrito dentista...
- Você já veio aqui antes? ( sorriso)
- Sabe o que é...meu dente ta doendo e eu queria falar com um dentista...
- Sabe me dizer se você tem ficha aqui? ( sorriso)
- Meu dente ta...
- Você tem dois telefones que possa ir adiantando aqui na sua ficha? ( sorriso)
Consegui controlar a dor com o pensamento daquela recepcionista sendo estrangulada por mim enquanto eu perguntava se ela tinha ficha e dois telefones pra contato.

A dentista chegou bem rápido e foi logo me levando para a sala, e me colocando sentado naquela cadeira de tortura e perguntando qual era o problema, tudo muito rude do jeito que deve se aprender no curso de odontologia do terceiro reich, eu expliquei que meu dente estava doendo...e ela muito simpática já disse que era canal...

- Mas como é você sabe que é canal? Perguntei meio que sem acreditar, até mesmo porque um dentista que diz que é canal sem nem mesmo olhar seus dentes é o mesmo que um medico saber o sexo do bebê só por olhar a barriga da grávida...é de desconfiar
Ela fez uma cara, do tipo : cala a boca , ou mais um debilóide e abriu aquele sorriso que estranhamente era igual ao da recepcionista e me respondeu que quando um dente dói é porque já é canal. Achei aquela resposta simplista demais mas quando se está em uma cadeira sem poder fazer muita coisa e a outra pessoa esta segurando uma maquina que tem uma broca é melhor não discutir e ficar na sua.

Eu abri a boca ela fuxicou meu dente e fez um som do tipo: “Hum” nunca tive medo de dentistas mas aquele “hum” me deu medo...”hum” o que??? Eu pensei mas seguindo aquela mesma lógica dali de cima resolvi que ficar fazendo perguntas demais e principalmente sobre o tal ‘hum” não seria conveniente. Ela continuou olhando olhando e derrepente falou que eu tinha que radiografar...nesse momento tive coragem e perguntei se meu dente estava cariado...e perguntei se era possível um dente sem ter carie doer...

Ela respondeu:- é... seu dente não tem cárie....pois é....
Pensei: primeiro aquele “hum” agora esse “pois é” eu to começando a achar que é jogo ficar com essa dor.
Radiografei ela viu que se tratava de uma inflamação do nervo, e me mandou pra casa me encher de antibiótico e esperar a dor passar...eu sai de lá meio decepcionado e até triste parecia que meu dente tava doendo a toa, ainda fui obrigado a suportar o sorriso mecânico da recepcionista mais uma vez e voltei pra casa me sentindo um idiota... pelo menos não foi canal...ainda!

Qualquer Coisa



Voltei !! após tanto tempo resolvi que seria legal colocar esse meu blog para “bombar”!! na verdade eu tinha voltado mesmo para deletar esse monte de bobagem. Mas relendo percebi que no fundo não tinha nada a perder em continuar postando aqui o que passa na minha cabeça doente, ( ninguém vai ler mesmo), eu sei que estive sumido e o pior é que eu não tenho um bom motivo para isso. Muita coisa mudou desde a minha ultima postagem, mas de um certo modo tudo esta igual! E pesando bem nem sei se isso é uma boa noticia, mas se você ( quando digo você, estou me referindo a uma entidade mágica, que vive em algum lugar legal e que por alguma razão misteriosa leia meu blog e já que é pra sonhar, esteja até sentindo falta das atualizações) está buscando boas noticias é melhor você dar um pulinho ali no site da Disney, já que de boas noticias o mundo anda meio que devendo pra gente.
Continuo acreditando que ninguém vai ler esse blog, ( desculpe, entidade mágica ) por isso mesmo eu sinto uma certa liberdade para escrever qualquer coisa aqui, essa liberdade até que ajuda, é como escrever um diário daqueles que tem um cadeado na capa que qualquer adolescente retardada ( e sem acesso a internet) adora, só que esse aqui ninguém vai ler mesmo.
Eu tenho um monte de coisas para escrever mas resolvi começar justamente pela busca e pela reativação desse blog , eu sei que a história não parece ser a mais emocionante, mas se você quer emoção seria bacana começar distribuindo panfleto de boate gay por qualquer encontro neo nazista, aqui não não tem nada de emocionante, mas voltando ao assunto, comecei minha busca com a idéia de que deveria baixar um monte daquelas baboseiras que existem aos montes pela internet para “melhorar o seu site” ( coisas do tipo: como anda o tempo nas ilhas Fiji ou mesmo a foto da sua casa vista do espaço), mas depois de algumas tentativas frustradas, publicar aquilo no blog não é tão simples como eles dizem ser, resolvi que já que não tenho nenhum leitor mesmo duvido muito que se tivesse um ele ia querer saber se nas ilhas Fiji vai chover ou fazer sol, então peço desculpas a você que por algum motivo resolveu entrar aqui em busca de previsões do tempo.
Logo depois parei para pensar sobre o tema desse post, afinal, ele tinha que ser especial já que não é sempre que se volta a postar em um blog abandonado há mais de dois anos, para isso é preciso muita imaginação ou total falta dela, não sei, só posso dizer que após um certo tempo percebi que ter esse tipo de preocupação era perda de tempo já que ninguém ia ler mesmo, e o melhor a fazer era justamente escrever qualquer coisa, e como a proposta desse meu blog sempre foi escrever sobre justamente qualquer coisa acabei no final achando mais que apropriado escrever sobre isso. Se você estava esperando um texto super bacana sobre como o tempo passou e de como senti saudades disso aqui eu sinto muito, mas nem eu sinto saudades disso aqui, e sendo franco, se existe alguém que sente saudade de um blog, é um desperdício de sentimentos.
Eu sei que ninguém percebeu que houve algumas mudanças por aqui por isso mesmo não me sinto na obrigação de dar justificativas , mas vou deixar bem claro que estou de volta, e você meu leitor que mora naquele lugar legal pode ser preparar e ficar feliz porque dessa vez eu voltei pra ficar.

23 de janeiro de 2006

MacGyver numa mesa de bar





Rio de Janeiro, verão, 42º à sombra, quando a noite chega não temos o sol mas ainda temos o calor que não dá uma folga, nesse cenário o que nos resta a fazer? se vc respondeu beber aquela cerveja super gelada acertou! não havia outra alternativa, o que parecia ser apenas uma noite de sábado com muito calor acabou sendo uma noite de agradáveis papos e lembraças do passado numa mesa de bar, todos presentes estavam sob a influência "magica" das noites de verão, que para muitos é de fato magica!. Além de mim estavam mais duas amigas, três contando com a cerveja que não deixava nossa mesa, começamos falando das coisas normais do dia dia, politica, internet, orkut...até que alguém perguntou : já que vc´s são mais velhos me respondam " o macgyver era humano?" eu olho para minha amiga que olha pra nossa outra amiga que olha para o garçom que finge que não vê, o quê ? como assim? eu pergunto, ela explica que sempre teve essa dúvida mas nunca tinha tido oportunidade de perguntar à ninguém até aquele momento...apesar da pergunta, derrepente nos vimos perdidos nas lembranças do passado, estavamos de volta aquelas tardes de domingo da globo onde viamos Macgyver resolver os casos mais atipicos com sua ilimitada criatividade e seu canivete suiço, alguns chicletes e meia duzia de clips de papel, eu falei que ele era o responsável por me sentir um total inútil, eu olhava pra mim e pensava: eu aqui na minha casa com tanta bugiganga não conseguia fazer nem uma arma atômica ou um jato ou um submarino do liquidificador nem do vaso, enquanto ele com um lápis e um pedaço de bombril colocava o mundo em perigo, eu achava aquele cara o maximo! minhas amigas confessaram que todas queriam casar com ele. Eu pensei caramba esse cara era mesmo muito foda! a noite passou muito rápido e quando vimos já era hora de voltar para casa, voltei ainda com aquelas lembranças na mente e prometendo a mim mesmo que não iria esquecer de coloca-las aqui.

17 de janeiro de 2006

O CHATO



Estou de volta, ainda que eu gostaria de manter esse blog interessante e engraçado com todos lendo e rindo e comentando com os amigos que existe um blog na net muito legal escrito por um cara super sagaz e etc...a verdade é que nem eu aguento meu próprio blog, é engraçado mas eu não tinha percebido como sou chato, aliás ser chato também não é pra qualquer um não, é preciso ter competência. Eu me lembro que meu primo era um carinha bem chatinho que adorava fazer aqueles malabarismos ridículos na hora de apertar a mão de alguém; na cabecinha debilóide dele era super engraçado fazer aquelas sacagens, do tipo tirar a mão na hora em que a pessoa for aperta-la sabe como é? ele fez isso com um amigo da familia durante anos era em casamento, aniversários, bodas, festa de final de ano, toda festa, fosse grande ou pequena em que o pobre do amigo da familia lá estivesse, lá estava meu primo esperando o momento certo para fazer aquilo que na cabeça de suspiro dele era a "cereja do bolo" o momento onde ele ia mostrar a todos presentes como ele era um cara engraçado e divertido, a coisa foi acontecendo assim por muito tempo até que um dia a filha desse amigo da familia ia casar, naturalmente fomos convidados e inevitavelmente meu primo também estaria lá, pronto para mais uma pitada de suas brincadeirinhas insossas, mas antes do pior acontecer o pai dele , meu tio, avisou que se ele tentasse fazer alguma gracinha daquela com o pai da noiva ele estaria encrencado, a recepção foi num grande salão de festas e a cerimonialista teve a brilhante idéia de colocar as familias em forma de corredor polonês para recepcionar os que ali chegavam, isso mesmo apertando a mão, lá estava meu primo na fila e sobre ele todos os olhares da nossa familia onde metade saíria correndo e a outra o esmurraria até a morte se ele fizesse aquilo que todos estavam temendo. Foi chegando a vez do meu primo, e acredito eu, que todos da nossa familia estavam suando frio, como todos os verdadeiro chatos são imprevisiveis, ele poderia fazer aquilo alí na frente de todos no dia do casamento da filha do homem. Meu primo muito educadamente esticou a mão e apertou a mão da noiva do noivo da mãe da noiva...quando ele esticou a mão para o pai da noiva o tempo parou, agora era a hora da verdade, iria ele usar o único nêuronio responsável pelo bom senso que tinha? lá estavam todos nós com a respiração presa, e tudo na mão do idiota do meu primo, porém antes que pudesse sequer pensar em retirar a mão do jeito que ele insuportavelmente sempre fizera, o pai da noiva já estava esperando pelo momento certo e por aquela mão esticada, que por muitas vezes ele sonhou em arranca-la e enfiar por sua goela abaixo, lá estava ela esticada pronta talvez pelo impulso da mão tola do pai da noiva. Mas o que acabou indo parar na mão do meu primo foi uma escarrada concentrada e cultivada por mais de 30 anos de hollywood, verde e monstruosamente pegajosa. Lá estava a resposta do nosso amigo para anos de brincadeira idiota e sem noção.Todos nós da familia ,com excessão da mãe dele, ficamos aliviados e até gratos pela cusparada honrosa de nosso amigo. Ele alí parado no meio de todo mundo com meio litro de catarro na mão aprendeu que ser chato tem um preço. No fundo foi melhor pra ele, acho que aquele catarro foi moral, manchou o espirito boçal dele. Eu sabia que sentar aqui e fazer esse blog iria me fazer relembrar muitas coisas que ví e senti,mas ainda assim tive por muito tempo medo e preconceito, mas acho que agora tá valendo à pena. rsrsrs.

11 de janeiro de 2006

O Tema

Pelo que pude notar todo mundo quando começa a escrever um blog já fica se achando o "critico de cinema", ou aquele que sabe muito sobre musica e bandas e por aí vai ...como não tenho talento pra essas coisas e muito menos pretensão esse blog vai ser a copia daquilo que passa na minha pobre e "sick" cabeça. Veja bem, é muito deprimente ver todo aquela lábia com criticas sobre que tipo de plano George Lucas usou na cena 25 de star wars de 1977 ou que foi que saramago quis dizer na pagina cinquênta do seu primeiro livro quando na verdade não tem ninguém pra ler, vc olha lá embaixo e tem um comentario, o dele mesmo, por isso vamos caindo na real NINGUÉM LÊ BLOG e então pra quê fazer bonito? Vamos liberar os bichos de nossas cabeças e quem sabe esse treco fica menos insuportavel do que ele já é...
MORAL: blog é igual pincher só quem acha legal é o dono.

O Passado



Escrever sobre o nosso passado na minha opinião deveria ser proibido,eu sei que é preciso ser cauteloso ou isso fica um xarope e esse não é o objetivo, ainda que eu não saiba qual é o verdadeiro motivo disso aqui, mas como acabei aprendendo a muito custo se voce não tem a "base" voce está perdido, por isso esse pequeno resumo se é que se pode resumir vinte e oito anos em meia duzia de palavras, mas pelo menos fica a tentativa.
Fui aquele tipo de criança que 'se achava ", logo no inicio da vida e eu já tirava uma onda de "adulto" ou seja INSUPORTAVEL! só fazia merda era mal criado achava que podia e devia responder a meus pais e eles nunca me daram aquela surra, pronto achei o problema! aos cinco botei fogo na casa com perda total até hoje minha mãe conta como foi receber os bombeiros em casa toda chamuscada de fuligem de cabelo em pé, eu sabia que tinha feito merda mas ainda assim minha unica preocupação era meus briquedos que tive a presença de espirito de salva-los antes que todos percebecem o fogo. e assim os anos foram passando não estudei como deveria e no fundo gostaria, minha adolescência foi regida por uma paixão platônica por uma garota que não sabia que eu fazia parte do planeta, tive poucos amigos e os poucos foram responsaveis por todos os momentos de real divertimento, sempre me achando a última bolocha do saco segui minha vida sem fazer aquilo que eu realmente deveria : ESTUDAR. No fim da adolescêcia as coisas resolveram se encaixar mas a que custo...

Como onde e porque?



Até onde uma pessoa pode se deixar levar por suas idéias e seus ideais? esse pode parecer um comeco chato mas essa pergunta foi exatamente o que me trouxe até aqui nessas primeiras linhas de um blog anônimo de internet, mas para poder entender como cheguei aqui vai ser preciso voltar um pouco no tempo, voltar onde tudo realmente se iniciou, ok meu leitor imaginário pode ficar calmo isso aqui não tem a pretensão de ser uma "autobiografia" e nem vai ser, mas para voce ser capaz de entender ainda que toscamente a linha de raciocinio que por muitas vezes me colocaram em apuros e ainda me coloca é preciso que esse blog volte um pouco nos anos...